Tuesday, 22 December 2009

Caros Leitores,

Dos verbos de ligação os que eu menos aprendi a conjugar são "permanecer" e "continuar".

Me parece que sempre uso o "andar" para ligar as frases que compõem meus parágrafos, mesmo que seja "pra frente" ou "pra trás". "Estar" fica sempre num estado temporário, provisório, até que a minha mente migre para qualquer outra decisão tomada sem muita reflexão...

Esses verbos de ligação esquecidos numa gramática antiga do saudoso ginásio acabam é desligando cada vez mais as minhas raízes. Mas, se o português não ajuda tanto assim na criação da minha história, ainda bem que existem geografia, matemática e biologia para compensar essa ausência.

Descoordenadamente,

Guilherme.

Monday, 21 December 2009

Caros Detetives,

Gostaria de ter um botão que desligasse meus pensamentos por tempo indeterminado. Acredito que esse meu hábito de pensar demais não é muito saudável.

Muita gente diz que procura o auto-conhecimento. Uma coisa que não me interessa nada é conhecer mais de mim mesmo. Eu mesmo me acho insuportávelmente chato e sem graça. Entendo perfeitamente as pessoas que me rotulam da mesma forma.

O que eu não entendo, os motivos de quem insiste em falar da minha vida. Gente que nem me conhece direito! Se existissem fatos relevantes para servirem de fofoca, eu entenderia, afinal me achando tão enfadonho quanto acho, entendo o fascínio que as pessoas possuem pelas vidas alheias. Mas nem isso acontece por aqui.

Esse grande nada que circunda minha existência é a grande novidade no meu dia a dia. Esse vazio é o grande mistério. Quais são as novidades, onde vou estar daqui a cinco anos, tudo bem? As respostas são sempre iguais, e sem profundidade.

Por isso, pergunto o que vocês ganham investigando esses detalhes chatos. Qual a graça, o propósito? Favor me contar, porque até agora, não encontrei nada que seja tão importante assim para merecer toda essa investigação minuciosa.

Obrigado,

Guilherme

Sunday, 20 December 2009

Caros Leitores,

Desistir é um ato de coragem muitas vezes.

Guilherme.

Saturday, 19 December 2009

Caros Leitores,

De vez em quando eu me pergunto porquê eu sou tão importante para algumas pessoas. Sou só um cara normal, com uma vida normal e problemas estruturais grandiosos.

Mas não é de hoje que as pessoas me escutam, e me enxergam como se eu fosse mais do que isso. Não é de hoje que pessoas fantásticas acham que eu sou mais do que eu sou de verdade.

Digo que já desapontei muita gente. Normalmente nos primeiros quinze minutos, é provável que eu cause uma boa impressão, mas depois de meia hora ao meu lado, provavelmente é possível enumerar dezenas de defeitos.

Inclusive meu egoísmo e meu orgulho. Meus pais que o digam.

Feliz Natal,

Guilherme.

Friday, 18 December 2009

Caros Leitores,



Quem lê isso aqui pode pensar que eu estou um pouco fixado nessa questão da areia do tempo escorrendo sem parar. E pra dizer a verdade é exatamente o contrário. Apesar de 10 anos terem se passado desde 1999 é necessário apenas uma música para que eu me sinta como se fosse ontem.

Como essa década tão cheia, ao mesmo tempo parece tão vazia? Pensando de 89 pra 99 parece que os anos correram em seu tempo, agora de 99 para 2009, tudo voou. E eu nem percebi...

Daí que ano que vem os anos 0 acabam e começam os anos 10 novamente. Depois a década de 20, 30, 40... E cada vez mais, eu no século passado... Se tem resolução que eu gostaria de fazer para próxima década é não dar tempo ao tempo.

Aproveitar o máximo que eu posso, da melhor forma possível. Pra não parar em 2020 e pensar que os anos 10 voaram. A verdade é que eu aproveitei muito do que deu nos anos 00. E ao invés de pensar no que não deu certo, ou mesmo em como eu preenchi meu passado, vou aproveitar mais meu presente porque é aproveitando o presente que acredito que vou construindo meu futuro.

Descronológicamente,

Guilherme

Caros Leitores,

Um dos meus defeitos é ser leal demais. Óbvio que não com todo mundo, mas com pessoas que eu gosto ou para quem eu devo alguma coisa. E esse sentimento de dívida é um sentimento MUITO babaca.

O fato é que muitas vezes eu sou um orgulhoso egoísta, mas outras vezes eu me faço de idiota e sempre acabo voltando, mesmo que isso me prejudique.

No trabalho eu sou muito assim. Não importa o quanto eu seja prejudicado, as coisas estejam ruins, o que sempre vai pesar é o que o trabalho faz de bom por mim. Tenho uma tendência a achar que estou ganhando mais do que eu mereço, herança de anos vivendo com a minha mãe, eu acho.

O fato é que esses dias eu estou me culpando, por saber que talvez tenha que deixar muita gente na mão.

Inconsequentemente,

Guilherme.

Thursday, 17 December 2009

Caros Leitores,

Conheço muita gente por aí que poderia jurar que os hormônios não passaram da fase de ebulição da adolescência. Meu primo por exemplo, é um caso clássico. Além de viver 100% do tempo focado num assunto: mulher, ele não tem a menor responsabilidade com seus relacionamentos.

Apesar disso ele é bastante esforçado no trabalho e um excelente pai para a filha dele, o que significa que nem sempre um comportamento ruim estraga completamente o caráter da pessoa.

Infelizmente a maioria das pessoas não pensa assim. Acreditam que se alguém tem UM comportamento ruim é uma pessoa ruim. O que não é muito inteligente. Primeiro porque todos nós temos problemas de personalidade (claro que em níveis diferentes). Segundo, porque a maioria desses problemas tem uma raiz, e pode ser combatida. Terceiro, porque apesar desses problemas, cada pessoa também possui qualidades diferentes.

O mundo não é preto e branco. E as vezes quem não saiu da adolescência emocional, pode estar muitas vezes mais estável do que aqueles que estão frustrados com a vida emocional adulta.

Psicológicamente,

Guilherme.

Wednesday, 16 December 2009

Caros Leitores,

Já trabalhei com muita gente diferente e até então tinha conseguido facilmente e criar bons relacionamentos ou pelo menos entender porque as pessoas malas agiam da forma que agiam.

E sempre tinha pessoas fantásticas pra onde fugir, quando os malas ficavam quase insuportáveis.

No momento isso não é possível. Não é que as pessoas sejam difíceis de lidar. É que falta senso de humor e personalidade. Coisas que eu considero indispensáveis para achar alguém legal. Ou pelo menos interessante. Estou começando a achar um padrão, ambos estudaram na mesma faculdade e moram no mesmo bairro... Será que é comum, que essa chatice pega geográficamente, ou seria ensinada pela instituição?

Essa escassez de interesse nos meus colegas de trabalho afeta ainda mais negativamente essa experiência em São Paulo...

Mas, vamos ver...

Desinteressadamente,

Guilherme


Tuesday, 15 December 2009

Caros Leitores,

Estou esperando a ansiedade. O momento em que meus olhos olham incessantemente o recinto à procura dos olhos dela. O sorriso que ela ocasiona no meu rosto apenas com a sua presença.

Ela mal sabe que o fato dela estar ali, a poucos metros da minha frente já muda completamente tudo ao meu redor. É como se o mundo ficasse menos chato, estressante e problemático... A vida é mais fácil quando ela está ali.

Nem se eu quisesse me fazer de difícil ia conseguir, é só ela olhar nos meus olhos e sorrir, que qualquer defesa que eu pudesse ter levantado é esquecida, e eu me perco nos batimentos cardíacos.

Estranho que ao mesmo tempo que me sinto um completo idiota, percebendo o quanto eu não sei me comportar ao redor dela, me sinto o cara mais sortudo do mundo.

Apaixonadamente,

Guilherme.

Monday, 14 December 2009

Caro Progresso,

Todo mundo te adora, e com motivos válidos. Você facilita as vidas de seis bilhões de pessoas do mundo, inovando sempre e deixando todos impressionados com suas novidades.

Mas eu sei que você não é sempre tão bonzinho assim. Tem muita coisa que perdeu a preciosidade por sua causa. Fotografias por exemplo. Antes eram poucas e preciosas. Hoje, tiramos centenas de fotos digitais a qualquer momento. A importância de uma foto é perdida entre mil e duzentas outras.

Música também é afetada negativamente nesse sentido. Não tem mais o "ficar feliz quando sua música preferida toca na rádio", porque temos quase todas as músicas disponíveis em qualquer lugar com conexão na internet.

Da mesma forma, não temos mais horário para assistir nossos programas favoritos na TV, muita gente prefere assistir pela tela do computador inclusive. Algo que era compartilhado virou solitário hoje em dia.

Mas, tudo bem, já foi, passou e você trouxe muitas facilidades que compensaram as perdas. Venho por esta carta no entanto, pedir por favor não mate os livros com os novos "livros" digitais. Algo que me deixa completamente fascinado é encontrar uma estante de livros cheia de diferentes títulos, percorrer os autores, as capas...

Já se acabaram as estantes com discos e CDs, os DVD's também correm esse risco, e agora os livros... E eu me pergunto, se um dia a internet e os servidores do mundo pifarem de vez, o que vai acontecer com todo esse conteúdo?

De qualquer forma, muito obrigado pelo meu Ipod que eu escuto diariamente, e pelo Google que é muito meu amigo, sempre que tenho dúvidas posso perguntar pra ele que ele me ajuda a encontrar as respostas. Só peço pra ir mais devagar quanto aos livros. Eu vou morrer ainda nesse século provavelmente, enquanto você ficará progredindo por aí até sabe-se lá quando, então segura um pouco. Até 2100 talvez. Beleza?

Muito Obrigado,

Guilherme